Assinatura do acordo Mercosul–UE marca novo cenário para o comércio internacional
23 de fevereiro de 2026

Assinatura do acordo Mercosul–UE marca novo cenário para o comércio internacional

Um acordo histórico e seu avanço recente 
O Acordo Mercosul–União Europeia cria uma zona de livre comércio entre os quatro países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e os 27 Estados-membros da União Europeia. Trata-se do maior acordo comercial já firmado pelo Mercosul e de uma das parcerias bilaterais mais relevantes do comércio internacional, com potencial de movimentar cerca de US$ 22,4 trilhões em economias combinadas. Após a assinatura, o Parlamento Europeu submeteu o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação jurídica, inaugurando uma nova etapa institucional do processo. 

A conclusão das negociações encerra um processo iniciado em 1999 e retomado com maior intensidade a partir de 2023, sob coordenação brasileira, culminando na assinatura formal em 17 de janeiro de 2026, em Assunção. O acordo entrará em vigor após a ratificação pelos países envolvidos, com a aplicação de suas regras conforme os prazos e compromissos definidos entre os blocos. 

Do ponto de vista comercial, o acordo prevê a eliminação de tarifas de importação sobre aproximadamente 95% dos bens do Mercosul destinados à União Europeia, enquanto o bloco sul-americano liberalizará cerca de 91% dos bens europeus. Os produtos que permanecerão sujeitos a cotas ou a tratamentos específicos representam parcela residual do comércio e concentram-se, sobretudo, em segmentos agrícolas e agroindustriais. 

Impactos setoriais e redução tarifária 

No comércio de bens, o acordo afeta de forma direta setores relevantes da importação brasileira, cada um com estruturas tarifárias distintas. Atualmente, as alíquotas variam conforme o segmento: no setor químico, situam-se entre 12% e 18%; no industrial, entre 14% e 20%; e no automotivo, permanecem no teto de 35%. 

A liberalização tarifária será gradual e escalonada, conforme cronogramas específicos por categoria. Bens industriais e químicos tendem a alcançar alíquota final zero em até 10 anos, enquanto setores mais sensíveis, como o automotivo, poderão seguir prazos mais longos, que chegam a 15, 18 ou até 25 anos. Esse desenho impacta diretamente custos, estratégias de sourcing e o planejamento de médio e longo prazo das empresas. 

O que muda para o importador brasileiro
 
Do ponto de vista da importação no Brasil o acordo não elimina instrumentos de defesa comercial, que seguem disponíveis para lidar com eventuais distorções. Ao mesmo tempo, cria um ambiente mais atrativo para empresas europeias que ainda não operam no país ou que avaliam reorganizar suas cadeias produtivas, considerando o Brasil como porta de entrada estratégica para o Mercosul. 

À medida que o acordo avança para sua implementação, os próximos passos exigem acompanhamento atento dos cronogramas, das listas de produtos e dos ajustes operacionais necessários.  

Na Sertrading, acompanhamos de forma contínua os movimentos do comércio internacional e da geopolítica, atuando de maneira consultiva para orientar nossos clientes diante de mudanças estruturais que impactam decisões, custos e a organização das cadeias de suprimentos. 

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